6.6.15

O meio-dia



É a hora santa dos meus avós. A mesa está posta, o arroz no ponto e a minha avó mais que pronta para receber os netos.




Recebe-me de braços abertos. Sempre. A qualquer altura. Já nem lhe importa que venha com uma câmara na mão. Já é hábito. E ela sabe que o é. E gosta!

(Nesta foto, vê-se bem de quem herdei o meu rico double chin.)


Nos entretantos, convida-me a sentar e diz que tem Coca-Cola no frigorífico, porque sabe que gosto.



Arroz de favas com fanecas, à D.Beatriz.


Pão. A sobremesa já pronta. E a típica saladinha do bu. Talheres de madeira e pratos aportuguesados.


"Inês, fiz-te uma coisa diferente porque sei que adoras ovos e as fanecas fizeram-se poucas"


Ora aqui está. Um je ne sais quois, digno de estrela Michelin. A minha avó é a rainha do improviso. 
Um improviso que sabe sempre bem.


É a última a sentar-se e a primeira a sair da mesa. Não arruma a loiça na hora. Isso era em tempos. Agora fá-lo quando regressa a casa, à tardinha. Porque depois da saga d' O meio-dia, o destino dos meus ricos avós é outro - o típico cafézinho pós-almoço. 


Porque as cores combinam.


O meio-dia é a hora em que se veem de novo. Ele pede-lhe beijinhos e ela cobra cada um à risca. Depois de umas boas décadas de casamento, ela ainda se faz de difícil e remata sempre com a mesma frase: Gabriel, não abuses.


A minha avó é uma personalidade. Daquelas. E o meu avô admira-a, sempre com o sorriso a espreitar a bochecha. 


Nada monótonos, mas cheios de boas rotinas. O meio-dia é uma delas. 

E enche-me o coração poder assistir de um canto a estes dois. É nesta casa que paro sempre que estou em Famalicão. É também ela a minha segunda casa e um dos meus berços. E eles? Eles são, sem dúvida, as minhas pessoas favoritas e vão sê-lo eternamente, porque são meus e porque sou deles. 

Amo-vos bubu e bobocas. 

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