15.8.15

"Do you ever wonder how do your mind looks from another persons eyes?"



 Confesso que as vezes em que eu me sinto mais envergonhada é comigo mesma. E acontece quando penso na pessoa que já fui. Não me interpretem mal. Eu tenho orgulho em mim, sei que sempre fiz o melhor por mim e pelos que amo, mas nos entretantos também tenho a plena noção que nem toda a gente me vê/viu assim. E eu tenho vergonha pelos pedacinhos de mim que outros não conseguiram ver evoluir, entendem? Não sei se é vergonha, se é pena. Tenho pena que não percebam o meu caminho e que não tenham ficado para assistir às minhas maiores conquistas ou que nem as compreendam agora que me veem ao longe. Eu sei que é inevitável que deixemos pessoas, pensamentos e lugares para trás. Eu sei. Faz parte do crescimento. Mas continuo a ter pena pela parte que me toca. Porque, para essas pessoas, eu continuo a ser a mesma pessoa que um dia lhes disse adeus ou que as tratou daquela forma naquela determinada altura. E sou só isso. E por muito que eu evolua, que eu pense de forma diferente e que até já me tenha esquecido do motivo pelo qual nos afastamos, o olhar que partilhamos dirá sempre o mesmo: tu és o montão de defeitos que eu detetei em ti nos tempos em que te conheci, tu és e serás sempre isso para mim.

Eu penso muito nisto e a verdade é que me faz alguma confusão que as pessoas criem paredes com estas grandes roturas, que nos impeçam de ver o que de bom cada uma delas já fez e o quanto cada uma já se afastou da pessoa que foram. Por vezes, basta-me até abrir uma conversa com uma pessoa com a qual já não me relaciono, sem querer, e é daí que vem a vergonha que vos explicava há pouco, quando percebo que um dia eu escrevi daquela forma, com todos aqueles pontos de exclamação e emojis possíveis, entender que disse coisas da maneira errada, reconhecer imaturidade, falta de opinião e de moderação nas palavras que outrora foram mesmo minhas. Eu sei que a vida é mesmo assim e que o facto de eu reconhecer que já não sou mais a mesma de há uns anos atrás demonstra a evolução que, para quem está do outro lado, nunca vai existir. São estes factos que temos de aceitar e saber viver com eles quando existem pessoas que nos relembram diariamente de quem somos e para onde queremos ir. Porque, sem elas, não haveria qualquer termo de comparação que nos levasse sequer a pensar nestas coisas.

5 comentários:

  1. Compreendo-te muito bem. Ás vezes olho para trás e penso nas atitudes ridículas que tinha. Tenho pena disso mesmo que descreves, que algumas pessoas não possam presenciar o quanto mudei, o quão mais matura eu sou. (:

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  2. 'tu és o montão de defeitos que eu detetei em ti nos tempos em que te conheci, tu és e serás sempre isso para mim.'acho que esta frase diz imenso mesmo!

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  3. tu és o que és.. tu fizeste o que tinhas de fazer na altura, o que tu sentias o que era certo.. Se agora pensas que era errado, é porque cresceste e mudaste a tua opinião sobre algumas coisas.. Mas já não podes alterar isso..

    As pessoas entram e saiem da nossa vida.. Já tive várias que saíram e outras que entraram..

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  4. Percebo-te muito bem, penso o mesmo de mim às vezes
    Beijinhos :)
    http://those-colorful-words.blogspot.pt/

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  5. Sinto-me assim, sobretudo com pessoas que se afastaram da minha vida, ou me afastaram da vida delas e nunca mais me deram uma oportunidade de lhes mostrar que não sou assim tão diferente delas e do resto da humanidade.
    Somos uma amálgama de sentimentos que nos provocam reações de acordo com situações determinadas. O facto de não sabermos dançar, não impede que sejamos cantores excecionais. Bastava deixarem-nos "cantar" só um pouquinho e a relação podia mudar radicalmente.
    Mas são poucas as pessoas dispostas a dar uma segunda oportunidade...

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